A ascensão e queda do USD (continuação)

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  • Fevereiro 26, 2026

Atualmente,​​ o dólar americano mantém-se como a moeda de reserva dominante, sendo utilizado em 55% das transações globais e representando cerca de 51% das reservas dos bancos centrais.​​ 

Esta​​ posição​​ confere aos Estados Unidos um poder geopolítico sem paralelo, permitindo-lhes financiar o seu governo através da impressão de dinheiro (monetização da dívida) e impor sanções económicas a adversários, bloqueando o seu acesso ao capital.​​ 

No entanto,​​ alguns especialistas acreditam que os EUA estão agora no estágio final de um ciclo, caracterizado por condições financeiras adversas e conflitos sociais intensos, o que historicamente precede o declínio de uma moeda de reserva.

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O risco atual para o dólar advém de uma combinação perigosa: níveis de dívida governamental elevados (mais de 120% do PIB) e a impressão massiva de moeda para cobrir défices.​​ 

Quando um país produz demasiada moeda e crédito sem um aumento correspondente na produtividade, o valor da moeda diminui face a outros ativos, como ouro ou bens reais. A longo prazo, se os investidores e bancos centrais estrangeiros​​ perderem a confiança de que o USD é um bom armazém de riqueza, poderão vender os seus ativos denominados em dólares, provocando uma diminuição auto-reforçadora do seu valor.​​ 

Os EUA implementaram uma política de subida agressiva das taxas de juro a partir de 2022, que resultaram na valorização e na estabilidade do USD. Mas esta política de compromisso com a estabilidade monetária parece estar a chegar ao fim, com a saída de​​ Jerome Powell​​ da liderança da FED (o mandato de​​ Powell​​ expira em maio de 2026).

Neste tabuleiro geopolítico, a China emerge como o principal rival. Embora o renminbi (RMB) represente apenas 2% das reservas mundiais, a China já é a maior potência comercial e possui o maior PIB ajustado pelo poder de compra.​​ A China está a desenvolver rapidamente o seu mercado de capitais e sistemas de pagamento alternativos para reduzir a sua vulnerabilidade às sanções americanas. A atual "guerra de capitais" entre as duas potências manifesta-se em ameaças de bloqueio ao acesso a mercados financeiros e na competição tecnológica.​​ 

Historicamente, quando uma potência ascendente desafia a estabelecida e existem dívidas impagáveis, a ordem mundial muda.

Mas a pandemia de COVID-19, onde os bancos centrais injetaram estímulos sem precedentes, veio mostrar que o USD continua a ser a moeda dominante. Enquanto o euro (20% das reservas) sofre de fragilidades estruturais e o ouro (12%)​​ permanece um ativo de refúgio,​​ não existe ainda uma alternativa plena ao dólar. Contudo, a história ensina que a falta de uma alternativa clara não impede a desvalorização de uma moeda quando os seus fundamentos colapsam.​​ 

O destino do USD dependerá da capacidade dos EUA em manter a sua força interna, produtividade e unidade política num momento de polarização extrema.