A melhor opção
Porque investir em ações é a melhor opção
Quando se fala em investir, muitas pessoas pensam logo em risco. Mas, paradoxalmente, os maiores investidores do mundo — como o lendário Warren Buffett — dizem exatamente o contrário: as ações são o investimento mais seguro a longo prazo. Isto pode parecer estranho, mas os números e a história confirmam-no.
Desde o início do século XX, o mercado acionista global tem oferecido retornos médios anuais de cerca de 8% acima da inflação. Isto significa que, ao longo de 30 anos, o valor investido em ações multiplica-se várias vezes. Em comparação, as obrigações rendem cerca de 2% a 3% acima da inflação, e os depósitos bancários raramente ultrapassam 1%. Assim, quem investe 10.000 € em ações e as deixa crescer durante 30 anos, poderá ter mais de 70.000 €, enquanto quem mantiver o dinheiro numa conta a prazo terá menos de 20.000 €. É a diferença entre deixar o dinheiro trabalhar para si — ou deixá-lo adormecer.
Figura 1 - Retorno do índice S&P500, últimos 100 anos; 1 dólar investimento em dezembro de 1927 valeria, hoje, 390 vezes mais (fonte: MarcoTrends).
Há pouco tempo, assisti a uma conferência que reuniu alguns dos melhores investidores do mundo, entre eles Francisco García Paramés e Mohnish Pabrai.
Segundo Francisco Paramés, considerado o “Warren Buffett europeu”, o segredo está em pensar a longo prazo e não se deixar levar pelas emoções. As empresas bem geridas tendem a aumentar lucros e valor ao longo do tempo. Quando compramos ações, estamos a comprar uma parte real dessas empresas — fábricas, marcas, produtos, clientes — e beneficiamos do seu crescimento. Ao contrário do que se pensa, não é “jogar na bolsa”: é ser dono de negócios.
Mohnish Pabrai explica esta ideia com o conceito indiano de “Dhandho”, que significa “criar riqueza com o mínimo risco possível”. Ele mostra que bons investidores fazem exatamente o que faz um empresário prudente: compram negócios simples, com pouca dívida, vantagens competitivas duradouras e preço baixo. Em suma, procuram situações em que “cara, ganho; coroa, não perco muito”. É uma forma de investir onde o risco é pequeno e o potencial de ganho é grande.
Tanto Paramés como Pabrai sublinham que o risco não está nas ações, mas em pagar caro ou em não entender o que se compra. As crises de mercado — como a de 2008 ou a de 2020 — assustam os investidores impacientes, mas são oportunidades para quem pensa como dono: os preços descem, mas os negócios continuam a produzir valor. O investidor paciente compra quando os outros têm medo e colhe os frutos quando o mercado recupera.
Outro ponto importante é a proteção contra a inflação. O dinheiro parado perde poder de compra com o tempo: 100 € hoje valerão muito menos daqui a 20 anos. As ações, pelo contrário, representam empresas que aumentam preços e lucros conforme o custo de vida sobe — ou seja, o seu valor acompanha (ou supera) a inflação. Por isso, são o melhor escudo para preservar o poder de compra.
Além disso, investir em ações permite diversificar facilmente. Hoje, com poucos euros, é possível comprar fundos ou ETFs que reúnem centenas de empresas em vários países e setores, reduzindo o risco individual. É como ser dono de um pequeno pedaço do mundo — Apple, Nestlé, L’Oréal, Toyota — e beneficiar do crescimento global.
Por fim, há uma lição comum a todos os grandes investidores: a paciência é a maior vantagem competitiva. A volatilidade de curto prazo é o preço a pagar por ganhos superiores a longo prazo. Paramés recorda que “o investimento é simples, mas não é fácil”: requer disciplina, serenidade e uma visão de dono.
Em resumo: as ações não são um jogo, são instrumentos de propriedade. Representam empresas reais que criam valor todos os dias. E ao investir nelas, tornamo-nos parceiros desse progresso. Como dizia Mohnish Pabrai, “heads I win, tails I don’t lose much” — se escolhermos bem, o tempo joga a nosso favor.
É por isso que, para quem pensa no futuro, as ações são o melhor investimento do mundo.
