A melhor opção

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  • Dezembro 24, 2025

Porque investir em ações é a melhor opção

Quando se fala em investir, muitas pessoas pensam logo em risco. Mas, paradoxalmente, os maiores investidores do mundo — como o lendário​​ Warren Buffett​​ — dizem exatamente o contrário:​​ as​​ ações são o investimento mais seguro a longo prazo. Isto pode parecer estranho, mas os números e a história confirmam-no.

Desde o início do século XX, o mercado acionista global tem oferecido retornos médios anuais de cerca de 8% acima da inflação. Isto significa que, ao longo de 30 anos, o valor investido em ações multiplica-se várias vezes.​​ Em comparação, as obrigações rendem cerca de 2% a 3% acima da inflação, e os depósitos bancários raramente ultrapassam 1%. Assim, quem investe 10.000 € em ações e as deixa crescer durante 30 anos, poderá ter mais de 70.000 €, enquanto quem mantiver o dinheiro numa conta a prazo terá menos de 20.000 €. É a diferença entre deixar o dinheiro trabalhar para si — ou deixá-lo adormecer.

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Figura 1 - Retorno do índice S&P500, últimos 100 anos; 1 dólar investimento em dezembro de​​ 1927 valeria, hoje, 390 vezes mais (fonte: MarcoTrends).

Há pouco tempo, assisti a uma conferência que reuniu alguns dos melhores investidores do mundo, entre eles​​ Francisco García Paramés​​ e​​ Mohnish Pabrai.

Segundo​​ Francisco Paramés, considerado o “Warren Buffett europeu”, o segredo está em pensar a longo prazo e não se deixar levar pelas emoções. As empresas bem geridas tendem a aumentar lucros e valor ao longo do tempo. Quando compramos ações, estamos a comprar uma parte real dessas empresas — fábricas, marcas, produtos, clientes — e beneficiamos do seu crescimento. Ao contrário do que se pensa, não é “jogar na bolsa”: é ser dono de negócios.

Mohnish Pabrai​​ explica esta ideia com o conceito indiano de “Dhandho”, que significa “criar riqueza com o mínimo risco possível”.​​ Ele mostra que bons investidores fazem exatamente o que faz um empresário prudente: compram negócios simples, com pouca dívida, vantagens competitivas duradouras e preço baixo. Em suma, procuram situações em que “cara, ganho; coroa, não perco muito”. É uma forma de investir onde o risco é pequeno e o potencial de ganho é grande.

Tanto​​ Paramés​​ como​​ Pabrai​​ sublinham que​​ o risco não está nas ações, mas em pagar caro ou em não entender o​​ que se compra. As crises de mercado — como a de 2008 ou a de 2020 — assustam os investidores impacientes, mas são oportunidades para quem pensa como dono: os preços descem, mas os negócios continuam a produzir valor. O investidor paciente compra quando os outros têm medo e colhe os frutos quando o mercado recupera.

Outro ponto importante é a​​ proteção contra a inflação. O dinheiro parado perde poder de compra com o tempo: 100 € hoje valerão muito menos daqui a 20 anos.​​ As ações, pelo contrário, representam empresas que​​ aumentam preços e lucros conforme o custo de vida sobe — ou seja,​​ o seu valor acompanha (ou supera) a inflação. Por isso, são o melhor escudo para preservar o poder de compra.

Além disso, investir em ações permite diversificar facilmente. Hoje, com poucos euros, é possível comprar fundos ou ETFs que reúnem centenas de empresas em vários países e setores, reduzindo o risco individual. É como ser dono de um pequeno pedaço do mundo — Apple, Nestlé, L’Oréal, Toyota — e beneficiar do crescimento global.

Por fim, há uma lição comum a todos os grandes investidores:​​ a paciência é a maior vantagem competitiva. A volatilidade de curto prazo é o preço a pagar por ganhos superiores a longo prazo.​​ Paramés​​ recorda que “o investimento é simples, mas não é fácil”: requer disciplina, serenidade e uma visão de dono.

Em resumo:​​ as ações não são um jogo, são​​ instrumentos de propriedade. Representam empresas reais que criam valor todos os dias. E ao investir nelas, tornamo-nos parceiros desse progresso.​​ Como dizia​​ Mohnish Pabrai, “heads I win, tails I don’t lose much” — se escolhermos bem, o tempo joga a nosso favor.​​ 

É por isso que, para quem pensa no futuro, as ações são o melhor investimento do mundo.