Magna International (MGA)

  • MyStockIdeas
  • Fevereiro 25, 2021

 

 

Principais resultados da análise

 

A Magna International (MGA) tem mais de seis décadas de experiência no setor da indústria automóvel, fornecendo uma vasta gama de produtos, tais como exteriores, interiores, assentos, roof systems, carroçarias e chassis, grupos propulsores, sistemas eletrónicos e de visão artificial, sistemas de fecho, sistemas para veículos elétricos, entre outros produtos. A maior parte das receitas da empresa são provenientes da América do Norte e da Europa.

Em termos de capital, a empresa segue uma abordagem conservadora, apostando num balanço forte com grande liquidez e​​ em​​ boas notações de risco de crédito (classificação das agências de rating). Esta estratégia confere resiliência à MGA em tempos de crise.​​ 

A MGA tem retornado uma quantia significativa aos acionistas ao longo dos anos, através da distribuição de dividendos e de recompra de ações. Em 2019 a empresa distribuiu $1.7B aos seus acionistas através destes mecanismos.

De acordo com o nosso modelo financeiro, o valor intrínseco da MGA será de $84/ação. À data desta avaliação, as ações estão a ser transacionadas ao preço de $87, um valor justo na nossa opinião. Mas a MyStockIdeas procura por ações a preço de saldo e não ao preço justo. Por isso, a opção de compra só se colocará caso ocorra uma correção que leve o preço das ações para um valor inferior a $60/ação.

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EMPRESA

A MGA​​ tem um departamento de R&D que dá cartas no setor. Está​​ envolvido​​ em três grandes tendências do setor​​ atualmente: assistência​​ à​​ condução (soluções que visam maior comodidade e segurança); eletrificação (soluções modulares e escaláveis​​ de grupos propulsores​​ destinados a veículos elétricos e híbridos); e smart mobility​​ (soluções que visam melhorar a experiência dos condutores).

Na​​ área da​​ assistência​​ à​​ condução,​​ ou ADAS (Advanced Driver Assistance Systems), a empresa é responsável pelo desenvolvimento e fornecimento do​​ sistema​​ Magna ADAS​​ a mais de 100 modelos de veículos diferentes. Nesta área estão incluídos​​ ainda​​ serviços de autonomia como o​​ 3D Surround View Systems​​ que permite uma visão 360º​​ da envolvente, ou o​​ Magna​​ Autonomous Valet​​ que​​ combina sistemas de​​ vídeo​​ com tecnologias de ultrassom e radar, para​​ detetar​​ lugares​​ de estacionamento​​ disponíveis​​ e​​ estacionar o carro automaticamente​​ (https://www.magna.com/products/power-vision/advanced-driving-assistance-technologies).

Na área da eletrificação,​​ a MGA disponibiliza um conjunto de​​ sistemas​​ propulsores destinados a carros elétricos ou híbridos,​​ que oferecem uma solução modular e escalável. Esta solução permite acoplar blocos de motor elétricos a um motor de combustão interna, ou ICE (Internal​​ Combustion​​ Engine),​​ reduzindo as emissões de CO2 enquanto aumenta a capacidade do motor original. Segundo a empresa, esta solução permite aos fabricantes de automóveis manter as configurações dos seus modelos, uma vez que os blocos podem ser adaptados a todos os segmentos.

Na área da smart mobility, a MGA apresenta várias soluções que melhoram a experiência dos condutores, como por exemplo os​​ assentos flexíveis e reconfiguráveis que se adaptam às diferentes funções que um veículo pode desempenhar (ida ao supermercado, viagem, dia-a-dia). Outra das soluções consiste numa forma​​ mais intuitiva​​ de​​ entrar e sair do veículo, recorrendo ao​​ toque​​ no exterior ou no interior da viatura.

A estratégia de inovação estende-se também à utilização de materiais avançados,​​ com especial foco na​​ diminuição do peso do veículo. A inovação inclui ainda a​​ otimização dos​​ seus​​ processos produtivos, através do recurso a​​ tecnologias das áreas da robótica, inteligência artificial e​​ de​​ realidade aumentada.

 

INDÚSTRIA

A indústria​​ automóvel está num processo de transformação.​​ Essa​​ transformação não se resume apenas​​ à​​ penetração​​ dos carros elétricos.​​ Estende-se ao​​ “carsharing”,​​ aos carros autónomos​​ e à conectividade. Mais​​ do​​ que mudanças tecnológicas,​​ estas tendências​​ irão provocar transformações​​ sociais, de alcance ainda desconhecido.

Os processos de digitalização já provocaram disrupções em alguns setores e o setor automóvel não será exceção.​​ No entanto, algumas destas​​ tendências estão​​ ainda​​ numa​​ fase inicial de vida, não permitindo traçar uma perspetiva integrada daquilo que vai ser a indústria automóvel no futuro.

Pensa-se que​​ a​​ conetividade irá tornar os veículos numa plataforma​​ onde​​ os passageiros​​ poderão​​ tratar dos seus​​ assuntos pessoais​​ ou​​ profissionais,​​ via​​ WEB.

Nas grandes cidades, onde a falta de lugares de estacionamento e as filas de trânsito são um problema, o carsharing​​ deverá assumir-se como​​ uma alternativa. O carsharing deverá​​ possibilitar​​ a​​ redução dos​​ custos​​ familiares​​ com viaturas​​ e​​ libertar o​​ tempo​​ de​​ condução para outros fins.​​ Este negócio terá maior expressão nas grandes cidades, onde​​ poderá​​ beneficiar do efeito de​​ escala, em contraste com os centros rurais onde os carros privados deverão continuar a liderar as preferências da população.

A penetração dos carros elétricos e autónomos deverá ser maior nos países mais desenvolvidos, onde as exigências ambientais​​ são maiores​​ e as famílias têm condições financeiras para suportar os custos destas novas tecnologias.​​ 

Players tecnológicos e start-ups deverão assumir um papel relevante no setor dos​​ autónomos, um​​ setor​​ que terá nas entidades regulatórias talvez o seu maior desafio. A penetração de veículos autónomos será gradual, acompanhando​​ o ritmo​​ das restrições impostas pelas entidades reguladoras.

Os veículos elétricos deverão continuar a conquistar share do mercado à medida que as regras relativas às emissões​​ de CO2​​ se tornarem mais apertadas, os preços das baterias forem baixando e a aceitação por parte dos condutores for aumentando.

No conjunto, o​​ mercado global de automóveis deverá continuar a registar crescimento na próxima década. Estima-se que esse crescimento seja de aproximadamente 2%, em comparação com o crescimento de 3.5% verificado nos últimos 5 anos. Esse crescimento será sustentado sobretudo pelo alargamento da​​ classe média​​ nos países em desenvolvimento, como a China e a Índia.

Acreditamos que a MGA está​​ bem posicionada para ajudar os seus clientes a abraçar estas mudanças, através dos seus produtos tecnologicamente evoluídos e da sua capacidade de​​ R&D.

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VANTAGEM COMPETITIVA

A Magna International​​ é um dos maiores e mais diversificados fornecedores de auto peças do globo. No setor automóvel,​​ a diversidade pode não significar sucesso.​​ Muitas empresas​​ especializam-se numa determinada área do veículo,​​ criando desafios à MGA.​​ Nas transmissões​​ por exemplo,​​ temos o caso​​ da Alisson, cuja análise foi disponibilizada pela MyStockIdeas​​ em junho de 2020.

A empresa beneficia​​ de​​ custos associadas à mudança, o que se traduz em relações de​​ longo prazo com os seus clientes.​​ 

A MGA apresenta também um portefólio de produtos inovadores que a coloca numa boa posição face aos desafios de mudança que se aproximam. Se bem que​​ as inovações são​​ rapidamente copiadas, ou até melhoradas, pela concorrência​​ no setor automóvel.

Quando analisamos o retorno obtido dos investimentos dos últimos anos, verificamos que os indicadores demonstram uma tendência decrescente desde 2016, o que pode indicar perda de capacidade competitiva (figura seguinte).​​ Esta mudança​​ de tendência​​ coincide com a aquisição da Getrag, concretizada no início de 2016.

 

 

MANAGEMENT

A administração da empresa aposta na estabilidade financeira e na robustez do balanço. A empresa apresenta uma boa liquidez, com mais de $4 B disponíveis em cash e crédito. Exibe um perfil de investimento conservador, com os juros dos empréstimos a apresentar um reduzido impacto​​ nos resultados. O balanço da MGA dá boas garantias face a uma eventual crise económica (ver imagens seguintes) ou uma eventual subida das taxas de juro.​​ 

A empresa​​ devolve​​ uma quantia importante de capital aos acionistas​​ anualmente, através da recompra de ações e da distribuição de dividendos.​​ Nos​​ últimos 10 anos a Magna recomprou cerca de $9.3B em ações e distribuiu $3.2B em dividendos.​​ 

 

SITUAÇÃO FINANCEIRA

A MGA tem mantido uma trajetória de crescimento ao longo dos anos, exceto em​​ 2019,​​ em que​​ as receitas diminuíram, refletindo a tendência do setor.​​ 

Nos últimos 12 meses (até​​ setembro​​ de 2020, TTM)​​ as receitas​​ mantiveram​​ a tendência de descida​​ iniciada em 2019. Esta descida foi motivada​​ pela pandemia do Covid-19, estando prevista uma forte recuperação para 2021.​​ 

O Resultado Líquido foi fortemente impactado pela diminuição do​​ Resultado Operacional​​ (ver imagens seguintes).

O Resultado Operacional apresentou uma diminuição de 57% nos últimos 12 meses, fruto de uma diminuição das receitas de apenas 20%. Esta diferença de valores significa que a empresa está alavancada operacionalmente.

Ou seja, uma importante fatia dos custos operacionais é de cariz mais permanente, não se adaptando a uma eventual diminuição das receitas. Isso pode ser prejudicial em tempos de crise.​​ 

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Mas, como vimos antes, a MGA apresenta uma reduzida alavancagem financeira, compensando a elevada alavancagem operacional que também apresenta.

 

 

 

O​​ Retorno de Capital (ROC) apresenta uma tendência de diminuição desde 2016 (imagem seguinte).​​ Essa diminuição está relacionada com uma redução da margem de lucro operacional e do Capital Turnover (volume de receitas que a empresa consegue realizar com o capital investido). Esta tendência pode significar que a MGA está a perder capacidade competitiva.

 

 

TESE DE INVESTIMENTO

Nos últimos anos,​​ a​​ MGA​​ conseguiu​​ manter​​ o capital próprio​​ (imagens seguintes)​​ mesmo distribuindo uma grande parte dos lucros aos acionistas,​​ o que​​ é​​ mais do que muitas empresas conseguem​​ fazer. Isso​​ também​​ está explícito no gráfico dos ganhos retidos​​ (ver ponto dos Resultados Financeiros),​​ onde se constata que a MGA tem vindo a acumular riqueza ano após ano.​​ 

Mas​​ até 2019, viveu-se um período​​ particularmente​​ favorável​​ à​​ indústria automóvel. Em 2019, a queda das receitas do setor levou o resultado líquido da empresa para valores bem inferiores aos verificados nos anos anteriores, situação que deverá repetir-se em 2020. Se a isto se juntar uma crise económica, que muitos apontam como​​ provável​​ na fase pós-pandemia, a MG poderá continuar a apresentar resultados menos bons​​ durante mais algum tempo.​​ Na nossa opinião, esse risco​​ não está​​ refletido no preço atual​​ das ações, que​​ ​​ está bastante acima do​​ máximo​​ verificado em​​ 2019.

De acordo com o nosso modelo financeiro, o valor intrínseco da​​ MGA será de $84. À data desta avaliação, as ações estão a ser transacionadas ao preço de $87, um valor justo na nossa opinião. Mas a MyStockIdeas procura por ações a preço de saldo e não ao preço justo. Por isso, a recomendação será para comprar caso ocorra uma correção que leve o preço​​ das ações​​ para​​ um​​ valor inferior a $60/ação​​ (70% do preço atual).

 

 

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