Sonae Capital SGPS SA (SONC)

  • MyStockIdeas
  • Janeiro 31, 2020

Principais resultados da análise

A SONC apresenta alguns aspetos positivos nos seus dados financeiros, como seja uma subida consistente do seu volume de negócios e uma melhoria do Resultado Operacional. No entanto, o que mais se destaca é a diminuição do património líquido verificada ao longo dos anos.

Por outro lado, o retorno associado aos investimentos da empresa é claramente baixo, não oferecendo grandes garantias aos investidores, mesmo que se tenha registado um aumento do dinheiro disponível para os acionistas nos últimos dois anos.

De realçar ainda que uma das principais fontes de receitas da empresa reside na gestão de ativos imobiliários, um setor que apresenta uma forte componente cíclica, aumentando a incerteza relativamente aos ganhos futuros.

Tendo tudo isto em conta e o facto da SONC apresentar resultados negativos recorrentes acompanhados de uma grande volatilidade, torna o exercício de estimativa dos futuros cash-flows muito difícil. Paralelamente, o facto de se tratar de uma holding constituída por vários tipos de negócio distintos, dificulta o processo de estimativa dos cash-flows, em comparação com empresas que sustentam um único negócio.  Assim, seguindo um velho princípio de que só se deve investir naquilo que se compreende, a MyStockIdeas optou por não avaliar a SONC quantitativamente, uma vez que o resultado teria, inevitavelmente, uma margem de erro muito grande.

Ver análise detalhada

Introdução

Nesta avaliação será efetuada uma análise assente no histórico dos dados financeiros e dos principais indicadores de desempenho, o que permitirá obter uma boa aproximação do valor da empresa. A avaliação é baseada na informação disponível nos relatórios e contas, em estudos publicados, em artigos disponíveis na imprensa, legislação, etc.

Os dados financeiros das empresas aparecem resumidos em três tipos de formatos: demonstração de resultados, balanço e o fluxo de caixa.

A demonstração de resultados apresenta a quantia que a empresa faturou num determinado período de tempo (vendas) e a quantia que utilizou para obter essas receitas durante o mesmo período de tempo (custos). Analisando a demonstração de resultados podemos verificar se as receitas estão numa tendência crescente ou decrescente, se as despesas estão em linha com as receitas, se os lucros são consistentes ou voláteis, se apresentam um padrão cíclico, entre outros. Os preços das ações da grande maioria das empresas estão relacionados com os lucros, pelo que a análise da demonstração de resultados assume uma grande importância no processo de previsão do preço das ações.​​ 

A estrutura de balanço reflete a condição financeira da empresa em determinado instante. Através do balanço é possível verificar a solvência da empresa, a sua liquidez, a sua eficiência operacional, entre outras características. Um balanço forte pode ser um indicador de resistência a ciclos económicos adversos.​​ 

O fluxo de caixa reflete o dinheiro que realmente entrou e saiu da empresa durante um determinado período de tempo (tipicamente 1 ano). O histórico do fluxo de caixa permite saber a quantia que a empresa realmente gasta e que efetivamente recebe, fornecendo informação indispensável para o cálculo do seu valor intrínseco.

Ao longo desta análise será interpretada a informação disponibilizada por estes três formatos e, recorrendo a indicadores-chave, será calculada uma primeira estimativa do valor da empresa. ​​​​ 

 

Descrição da empresa

A SONAE CAPITAL (SONC)​​ é uma holding de investimento que gere um portefólio de negócios,​​ dos quais se destacam a​​ gestão de ativos imobiliários​​ e a produção de energia​​ (Figura 1),​​ que representam quase 90% do EBITDA da empresa.​​ 

O​​ core business​​ da​​ unidade de energia​​ é a​​ cogeração, embora​​ nos seus ativos existam também​​ centrais fotovoltaicas,​​ uma​​ central a biogás e​​ um​​ parque eólico.​​ O negócio de Energia encerrou o ano de 2018 com um​​ volume de​​ negócios​​ de 52.6M€,​​ 16,2% acima de 2017. O EBITDA registou um crescimento de 6.5%.​​ 

Em termos de perspetivas para o futuro, a​​ SONC tem em desenvolvimento uma nova central termoeléctrica de cogeração alimentada a biomassa florestal​​ -​​ a entrada em operação​​ encontra-se prevista para o início de 2020​​ - que deverá contribuir positivamente para o EBITDA da empresa​​ (com cerca de 2M€).​​ A SONC pretende ainda reforçar a operação de cogeração explorando novas geografias, nomeadamente o México.

A​​ unidade de ativos imobiliários​​ detém​​ um portfólio de ativos que se encontra localizado em Portugal, com ampla dispersão geográfica.​​ Estes ativos incluem lotes de terreno, unidades residenciais, projetos de construção residencial, turísticos,​​ entre outros,​​ que​​ estão avaliados em 353.8M€.​​ Esta unidade de negócios registou um Volume de Negócios de​​ 59.6M€ no final de 2018.​​ O​​ cash flow​​ gerado pelas atividades imobiliárias assumem um papel estratégico na empresa,​​ financiando​​ o crescimento das unidades de negócio​​ e contribuindo para a​​ distribuição de dividendos​​ com​​ um dos melhores​​ yields​​ da bolsa portuguesa.

A SONC inclui ainda negócios ligados à Engenharia Industrial, ao Fitness, à Hotelaria e à​​ Refrigeração&AVAC.

Figura​​ 1​​ – Unidades de Negócio da SONAE CAPITAl (fonte: Relatório&Contas Sonae Capital)

 

Situação financeira

Análise dos resultados

O​​ volume de vendas é o​​ primeiro dado​​ a​​ analisar​​ na demonstração de resultados. ​​ As vendas são a força vital das empresas. Sem elas não há lucro ou qualquer perspetiva de negócio. A​​ análise do histórico do volume de vendas permite​​ avaliar a exposição da empresa aos ciclos económicos e​​ perceber se o negócio está em expansão ou em retração.

A​​ SONC​​ tem vindo a apresentar​​ uma subida consistente do seu volume de vendas​​ desde 2012​​ (Figura 2).​​ No entanto, o​​ resultado líquido​​ ainda apresentou valores negativos em 2018, perspetivando-se​​ um resultado positivo para 2019.

 

Figura​​ 2​​ –​​ Volume de vendas

 

 

Figura​​ 3​​ – principais dados da demostração de resultados

 

O resultado operacional reflete a capacidade​​ que a​​ empresa​​ tem​​ de​​ gerar receita.​​ Tal como o nome indica,​​ este dado mostra​​ o​​ resultado​​ gerado exclusivamente pelas operações do negócio,​​ antes​​ de ser descontada a verba destinada ao pagamento de​​ juros e impostos.​​ Dado que o resultado não é distorcido pelo nível de endividamento em que diferentes indústrias operam​​ ou pelas taxas tributárias que diferem de país para país, o resultado operacional​​ é um indicador​​ particularmente útil quando se pretende comparar​​ diferentes empresas.

O Resultado Operacional corresponde ao somatório de diversas parcelas, das quais se destacam​​ as seguintes​​ (Figura 4):

  • Gross Profit, ou margem​​ bruta:​​ é um indicador que revela a quantidade de dinheiro disponível​​ das​​ vendas após dedução do custo dos produtos vendidos. A margem de lucro bruto geralmente​​ aparece​​ expressa como uma percentagem das vendas.

  • Selling, General and Administrative Expenses​​ (SG&A):​​ inclui todas as despesas gerais e administrativas incorridas durante o período contabilístico. Estas incluem salários de gestão, publicidade, custos de representatividade, honorários, comissões, entre outros.​​ 

  • Depreciação e Amortização:​​ é​​ a rubrica​​ onde se​​ reconhece​​ o desgaste que as máquinas e edifícios vão apresentando ao longo do tempo.​​ 

  • Outros ganhos/custos operacionais:​​ inclui​​ receitas de todas as outras atividades operacionais que não estão relacionadas​​ com as​​ principais atividades da empresa, como ganhos / perdas​​ em​​ alienações, receita de juros, receita de dividendos, etc.

Figura​​ 4​​ – Componentes do​​ Resultado Operacional

 

As despesas gerais e administrativas​​ apresentam​​ uma tendência decrescente desde 2011, representando, no final de 2018, 64% do​​ Gross Profit. A​​ depreciação​​ representou​​ 24%​​ do​​ Gross Profit​​ (Figura 5).​​ ​​